Monumento Revolta Ribeirão Manuel

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sonhos Sem Limite: Deixem-me Sonhar!

 
Fomos encontrar São Costa, entre tecidos, brilhos e lantejoulas, empenhada na preparação da sua escola no estaleiro de Sonhos sem Limite, em Ribeira de Julião. A carnavalesca está a ‘apostar todas as fichas' no Carnaval do Mindelo 2011. Afirma que de outro modo não valeria a pena a sua dedicação e empenho. "Se participo de um Carnaval é claro que é para ganhar. Aposto sempre no primeiro lugar," garante.
A paixão pelo Carnaval surgiu ainda pequena quando desfilava no grupo ‘Oriundos' do seu pai, fez parte da direcção de um outro grupo carnavalesco mas, em 1998 decidiu criar o seu próprio grupo. Nasceu assim, ‘Sonhos sem Limite' que este ano comemora o seu décimo segundo aniversário e, que já faz parte da história do Carnaval mindelense.
Igual a si mesma e, com a frontalidade que lhe é característica, declara que espera que a Câmara Municipal de São Vicente escolha, este ano, pessoas que percebem do Carnaval para compor o corpo de jurados. "Eu sei o que é arte porque no meu dia-a-dia trabalho com isso e, para mim, a CMSV devia mandar os júris fazer uma formação", complementa São Costa.
"Não podemos convidar um médico ou professor universitário para ser júri e avaliar todo um esforço de uma escola. Tem de ser alguém que percebe e valoriza o esforço, a natureza do trabalho, a melodia e o ritmo da música, o corte, a confecção e a qualidade da costura dos trajes, além da organização da escola na avenida", critica.
Não sabe quem serão os convidados para o júri que irá avaliar o seu trabalho na terça-feira do Carnaval, mas garante que não está interessada em saber. Prefere apostar na dedicação ao seu trabalho do que fazer como "outras pessoas que quando sabem que alguém fará parte do jurado vai logo procurar essa pessoa para garantir um voto."
Quanto ao Carnaval anterior continua sem perceber como foi parar ao terceiro lugar na classificação final e segundo a opinião dos jurados.
"Fiquei no terceiro lugar, mas ganhei os prémios para o melhor mestre-sala, o Rei, a primeira-dama, e a melhor música. Cinco prémios, portanto. Já Monte Sossego que me venceu, ficou em segundo lugar, mas não levou nenhum prémio para casa. Mesmo quem não perceba nada do Carnaval vai considerar isso estranho. É preciso ver isso", afirma inconformada.
Rejeita a ideia de ser perfeccionista, mas está por trás de tudo o que acontece no Grupo carnavalesco ‘Sonhos Sem Limite', que preside desde 1998. Nenhum desenho passa à realidade sem a sua aprovação, a sua presença é constante e faz questão de meter mãos à obra e pregar, colar, costurar ao lado dos seus artistas que carinhosamente a tratam por ‘Mamy'.
Este ano, o tema da escola faz jus ao seu nome. ‘Deixem-me sonhar!' É o recado que esta escola trará à avenida cidade de Lisboa na terça-feira do Carnaval além da homenagem ao ‘Jon Boi', figura marcante da sociedade mindelense, antigo talhante e tocador de tambor. Quanto às composições musicais Sonhos sem Limite conta com duas, da autoria de Vlú e Constantino.

Quanto ao lado financeiro, a presidente de Sonhos sem Limite apela aos empresários e amigos da Escola que não deixem de patrocinar e de apoiar o Carnaval mindelense.
"Até agora, só temos o apoio financeiro da CMSV. Temos um grupo de patrocinadores que normalmente apoiam a escola, ainda não abriram a mão, mas eu tenho esperança que o façam porque eles não vão deixar morrer a nossa cultura. È importante porque todos sabemos que muitos emigrantes e estrangeiros marcam as suas férias para a altura do Carnaval e, por isso, ganhou uma projecção e um valor altíssimo para o turismo. Com a internet, muitos turistas já conhecem um pouco a fama do nosso Carnaval que evolui de dia para dia, logo temos de pegar nele com força", recomenda.
O grupo Sonhos sem Limite também tem sentido os efeitos da crise já que as pessoas que normalmente desfilam pelo grupo têm confessado fala de verba para pagar os trajes. Como o número de figurantes ou passistas que compõem as escolas também será avaliado pelo júri, São Costa afirma que a escola vai ajudar algumas pessoas a custear os seus trajes, à semelhança do que também já foi dito por outros grupos carnavalescos.


Flores do Mindelo: Mi ê dod na… Carnaval

CARNAVAL EM MOVIMENTO: A propósito dos preparativos
 
 
Grupo espera juntar mais de um milhar de figurantes e sai à rua "para ganhar".
Numa homenagem às mulheres, o grupo Flores do Mindelo sai este ano à rua sob o mote ‘mi ê dod na bo'. A escolha aproveita uma coincidência do calendário, já que a terça-feira de Carnaval calha a 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.
O tema estará presente num carro alegórico - dos dois que vão sair para a rua - e nos trajes dos foliões. Ao mesmo tempo, a organização promete "outras surpresas", mantidas em segredo até ao último minuto.
Os ensaios, que decorrem na antiga esquadra de Polícia, em frente ao Mercado do Peixe, "estão a correr bem", com uma preocupação especial na segurança dos voluntários. "Por causa dos gangs, muita gente tem medo de vir aos ensaios e por isso estamos a trabalhar para tentar evitar problemas", revela Edson Delgado.
"Temos um número muito maior de pessoas do que no ano passado". O vice-presidente do grupo carnavalesco já fez as contas e se em 2010 o Flores do Mindelo conseguiu pôr a desfilar para cima de mil figurantes, este ano quer não só repetir a proeza, como ampliá-la. "Temos muitos mais inscritos", confessa. "Já parámos as inscrições em algumas alas".
Serão nove as alas que se sujeitarão ao escrutínio do júri. "Nós estamos a representar a ilha para os turistas e para o nosso povo. É uma grande responsabilidade que temos". Um ‘fardo' que o grupo carrega com orgulho, apesar das dificuldades que têm de enfrentar.
Os preparativos para o desfile consomem tempo e dinheiro. Uma semana depois do Carnaval, a direcção reúne-se e discute entre si o tema do ano seguinte. Segue-se um período de maturação e, seis meses antes, começa-se a trabalhar nos trajes, nas músicas, nos carros, na coreografia e em cada detalhe, para que tudo fique perfeito.
O problema é sempre o mesmo: financiamento. A autarquia "dá uma boa ajuda", mas o valor não é suficiente para cobrir todas as despesas. Torna-se necessário pedir patrocínios, numa missão nem sempre bem sucedida: convencer empresas e particulares sobre as vantagens do investimento. "Isto é tudo muito caro. Temos a ajuda que é dada pela Câmara, que é uma contribuição muito boa e que ajuda muito, mas não chega e somos obrigados a correr atrás de outros patrocinadores. Não é fácil colocar um andor na estrada. Temos de economizar, e aproveitar os recursos ao máximo".
"Aguentamos muitas coisas, ofensas e insultos que as pessoas dizem e que não cabem na cabeça de ninguém", desabafa o filho de Ana Jesus Soares, a presidente que lidera os destinos do colectivo desde 2004.
"É muita canseira e muito trabalho, mas com o objectivo de ver um bom resultado final, no dia do desfile. A cada ano vamos melhorando", assegura.
Do sonho à realidade
No estaleiro do Flores do Mindelo, perto de três dezenas de trabalhadores tornam o sonho realidade, enquanto dão forma aos esboços em papel. Desde a década de 70 que o grupo celebra o Entrudo. Se nos ensaios o que se ouve são os acordes das músicas de Constantino Cardoso e Vlú, algumas centenas de metros acima, não muito longe da Praça Dr. Regala, ecoa o som dos martelos.
Vive-se um clima de festa antecipada, que dará lugar, em breve, a um ‘nervoso miudinho' de quem vê o dia D a aproximar-se e anseia que tudo possa estar pronto a tempo e horas.
"É muita emoção", desabafa Ivanilda Delgado, irmã de Edson. Do Carnaval, gosta de tudo, "da música, da alegria, do ambiente" e reconhece que esses são os ingredientes que fazem do Mindelo a capital da folia.
Durante três dias, a euforia invade as ruas da cidade, milhares de pessoas saem de casa e dão razão a quem diz que São Vicente é festa.
Edson Delgado só lamenta que, quarta-feira de cinzas, tudo caia no esquecimento. Poderia ser diferente. "Bastava que os diferentes grupos se sensibilizassem e se unissem".
"As pessoas esperam que a câmara ou o governo resolvam os seus problemas. Devíamos estar mais unidos e empenhados em criar algo que nos sustentasse, sem dependermos de apoios públicos. Se assim fosse, poderíamos trabalhar todo o ano e não apenas nos meses antes do Carnaval".
As rivalidades, reconhece, têm de se limitar ao momento do concurso, altura em que todos desfilam com um propósito: vencer.
O Flores do Mindelo sai para ganhar. "Não gostamos de ficar em segundo, porque o segundo é o primeiro dos últimos", conclui.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Cabo Verde: Carnaval nas ilhas afortunadas



Em Cabo Verde, carnaval é uma festa rija que movimenta milhares de pessoas. Todos os anos a diáspora cabo-verdiana e turistas de várias paragens viajam para as ilhas para vivenciarem num verve colectivo uma das festas mais eletrizante de Cabo Verde. A festa do carnaval em Cabo Verde deixou a muito de ter implementação local, acantonada nas periferias, para se tornar numa manifestação global.
Espelho da multiculturalidade, onde há harmonização de sentimentos, numa comunidade imaginada cada vez mais reforçada, o carnaval em Cabo Verde (especialmente de São Vicente) é muitas vezes comparada ao pequeno bazilin (pequeno brasil). A experiência brasileira em Cabo Verde remonta a época colonial com a influência na música e na literatura. Actualmente com as telenovelas, a hexis corporal dos brasileiros é cada vez mais presente, com a estetização do corpo; para não falar do sexo, samba, alcool e plage...


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O enigma histórico da Trindade

Uma equipa de técnicos começou, há uma semana, os trabalhos de escavação arqueológica na capela da Trindade, a 13 km da Praia. Remontando ao século XVII, a construção conduziu os especialistas ao enigma de sua origem. Junto à capela,  encontra-se a ruína de uma outra estrutura que também pode ter sido uma igreja no passado. Daí as escavações em torno do túmulo do antigo bispo poderem simbolizar, uma das chaves para compreender melhor o enigma histórico que intriga os pesquisadores. Entretanto, a escassez de recursos bibliográficos mostra-se ainda como um dos grandes obstáculos.



No início do período colonial havia uma distinção entre as duas principais localidades da Ilha de Santiago. Enquanto a Ribeira Grande da Cidade Velha era o ponto mais importante ao sul da ilha, a região de Trindade, ao que tudo indica, pode ter sido uma das principais referências mais ao norte, provavelmente pela boa reserva de água encontrada na região. O que se sabe, todavia, é que ali adormece uma antiga estrutura filipina, simbolizando justo momento histórico em que Portugal e Espanha dividiram sucessivos reinados, precisamente entre 1580 e 1640.   A capela caracteriza-se pelo seu formato octogonal. Como explica o artista plástico português  encarregado de restaurar a pintura do altar da capela, o estilo da estrutura pode ser maneirista, original do século XVII, muito em função de seu formato, da pintura mural que se encontra no altar, e da suposta data de sua construção. A função de Pedro Gago é devolver ao desenho original um aspecto menos deteriorado, preservando ao máximo - como rezam os preceitos principais da restauração -, a autenticidade da obra  sem intervenções rigorosas: “não se pode fazer intervenções muito agressivas em restauração, senão seria o mesmo que falsear”, explica o artista.

Vestígios de 1527
A arqueóloga Ana Maria Lopez Perez explica que os acervos históricos apontam a Fazenda da Trindade como propriedade de um tal Fernão Fiel de Lugo, já no ano de 1527. Livros como a História Geral de Cabo Verde, História Concisa e Subsídios para a História de Cabo Verde são recursos importantes para o desenrolar do trabalho de escavação. Isso, embora todos eles tratem muito de leve o tema, não chegando às raias do aprofundamento deste assunto teórico.
E é aí que está o grande desafio, diz a pesquisadora. Afinal, a escavação é um processo físico e intelectual. “Devemos estar atentos tanto às evidências materiais como imateriais. Para tanto, mesmo a história oral é um importante recurso nesse tipo de trabalho”, clarifica a pesquisadora, lembrando que boa parte do acervo ou está em Portugal ou se perdeu no tempo.    Ela garante que no decurso dos 5 meses de escavação, será necessário recorrer às várias formas de conhecimento existentes. “Sempre, em escavações arqueológicas, espera-se encontrar evidências  históricas; aqui não poderia ser diferente”. Essa pesquisadora, que está acostumada a realizar trabalhos arqueológicos em sítios românicos, na região de Toledo, em Espanha, explica que o trabalho em Trindade no início pareceu simples. Todavia, quando chegou ao sítio e encontrou a outra ruína, com o túmulo do bispo, viu surgir um enigma. De que ano seria a pequena capela já que a outra estrutura em ruínas pode ser a igreja que os antigos documentos fazem menção? 
Ana Lopez não arrisca qualquer suposição, ainda. Mesmo que as escavações sigam o seu curso, muito pouco foi descoberto. Só 3 moedas foram encontradas no processo de limpeza da primeira camada do terreno: duas delas do século XIX, em bom estado de conservação, e uma mais antiga, de data ainda desconhecida. Uma das moedas, curiosamente, traz a face de Luis I, neto do Imperador Dom Pedro I, como explica o artista plástico Pedro Gago.
Outro ponto que traz um grande desafio à equipa diz respeito ao altíssimo processo de erosão da localidade de Trindade. Muito do que for escavado pode voltar a ser recoberto em um curto espaço de tempo: os fortes ventos associados ao terreno dificultam os trabalhos de escavação.



População e património 
Todo esse investimento e pesquisa, diz Jaime Puyoles - Coordenador Geral da Cooperação Espanhola, principal instituição financiadora -, seria inútil caso não houvesse um envolvimento da comunidade local. O grande desafio, lembra, é inserir o cabo-verdiano no processo de identificação do seu próprio património: “Para nós, da Cooperação Espanhola, não faz sentido reabilitar nada que não tenha um uso muito claro por parte da população local”, explica.
Nesse sentido, o financiamento do Governo Espanhol para Cabo Verde está estimado em 199 mil euros – os outros 50 mil euros chegam do Instituto de Preservação do Património Cultural (IIPC) e da ONG Restauradores sem Fronteiras. Dentro do plano de actuação do projecto, está incluída a capacitação técnica da população local em questões relacionadas com a conservação e a importância histórica dos monumentos. Além disso, 14 mulheres e 3 homens da comunidade foram contratados para trabalhar junto à escavação, dando suporte aos técnicos nos afazeres diários.
Enquanto isso, um técnico da ONG espanhola dá aulas aos alunos do Ensino Básico Integrado (EBI) da localidade de Trindade e das imediações. Crianças de 6 a 12 anos são sensibilizadas através de um método pedagógico que busca a interactividade com o meio ao qual pertencem. O arquitecto Dário Perez explica que os miúdos têm aulas baseadas em jogos e actividades recreativas, e, como parte do programa, fazem visitações à capela e mesmo à fábrica de águas Trindade, que fica bem ao lado da antiga estrutura: “É excelente para eles, porque têm a possibilidade de comparar o novo e o antigo, uma estrutura histórica e uma fábrica”, relaciona o espanhol. 

Depois da formação, o estágio
Para além disso, 5 jovens ainda fazem o estágio junto ao grupo de restauradores responsáveis pelas escavações da Capela da Trindade. Eles aprenderam um pouco das técnicas no projecto de restauração da Torre da Misericórdia, na Riberia Grande. Na altura, passaram por um curso sobre Manutenção e Conservação de Sítios Históricos  no Centro de Formação Profissional (CFP). Dos 16 alunos, 5 estão a estagiar nas obras da capela Trindade, enquanto um deles, com condições de financiar uma viagem a Portugal, acabou por ingressar num curso de Conservação e Restauração do Património na cidade do Porto.   Ana Cristina Monteiro Mendes, 20 anos, e Admilson Veiga de Brito, 24, são dois jovens que participaram do curso da Cidade Velha, ambos vivem na Ribeira Grande. Este é o primeiro trabalho deles depois da formação profissional. E mesmo protestando contra a falta de trabalho existente no país, tanto Admilson quanto Ana garantem que gostam muito do ofício. “Meu objectivo é continuar na área da conservação e restauração”, afirma o mais velho dos estagiários. “É muito interessante, justo por estarmos em contacto constante com a história dos nossos antepassados”, completa.   
O projecto tem 12 meses de duração, sendo 5 deles destinados à escavação e 1 mês e meio à restauração da pintura-mural. O restante do projecto foca sensibilização da população local e na inserção dos mesmos dentro da proporção do património histórico que possuem. Para a arqueóloga espanhola, o contacto com a população local é sem sombra de dúvida a parte mais gratificante do trabalho. Afinal, a capela é um monumento de todos os cabo-verdianos. 
Mas, ainda virão mais dois restauradores especialistas. Um deles estará encarregado de restaurar o túmulo em pedra do bispo e outro que vai cuidar da restauração do sítio arqueológico, como rezam os preceitos da ciência da escavação.
F.Chimicatti

LUÍS RENDALL RECORDADO EM LISBOA

DIÁSPORA.MOV

O Centro InterculturaCidade organiza homenagem ao genial compositor e músico cabo-verdiano, num gesto simbólico de divulgação de um dos maiores nomes da música crioula de todos os tempos

Lisboa, 25 Fevereiro – Se fosse vivo estaria a comemorar os seus 113 anos. Luís Rendall (1898 -1986) fez do violão arma de expressão de apurada sensibilidade, tendo os seus solos ficado gravados nas memórias do tempo que, permanentemente, o afirmam como o mais respeitado e venerado músico de sua época e de todos os tempos.
Faroleiro de profissão, Rendall – um filho de S. Vicente - viveu muitos anos na Boavista, onde é recordado não só pelos extraordinários dotes musicais, mas também pela simplicidade do trato e a firmeza de carácter.
A música brasileira, desde muito jovem, provocou em si influência assinalável que o iria marcar para toda a vida. O contacto com tocadores de violão do Brasil ocorre em S. Vicente, pois, à época, aportavam à ilha do Monte Cara navios de Terras de Vera Cruz transportando mercadorias.
Neto de um cônsul britânico que se perdeu de amores por Cabo Verde – e ali ficou até à sua morte, Luís Rendall foi detentor de produção musical quase impossível de inventariar na totalidade, pois bem cedo se instalou nele o hábito de compor diariamente. Serão milhares, seguramente, os temas que criou ao longo de uma vida, tendo como fundo, as mais das vezes, a quietude translúcida do mar que beija a Boavista.
Assinalando os 113 anos de nascimento do músico, o Centro InterculturaCidade, de Lisboa, organiza na próxima segunda-feira, 28 de Fevereiro, a partir das 18h30 uma tertúlia sobre “A importância da obra musical de Luís Rendall”, com a participação de João Freire, responsável pela concepção e produção do disco “Memórias de Um Violão”, que Luís Rendall gravou em 1983; seguido de actuação a solo de Sérgio Figueira, o músico cabo-verdiano coordenador do projecto Fôgue d’MAr” – dedicado à herança musical de Rendall. As celebrações encerram com um jantar típico de Cabo Verde, onde não faltarão a Cachupa e o Bolo de Batata-doce.
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Centro InterculturaCidade
Rua dos Poiais de S. Bento, 73, 1200-346 begin_of_the_skype_highlighting              1200-346      end_of_the_skype_highlighting Lisboa (próximo ao Parlamento)

Os dois irmãos de Cabo Verde e a cimboa

O Patrimonium.cv vai dedicar um espaço especial aos dois musicos-irmãos do panorama musical cabo-verdiana: Mário Lúcio e Princezito. Dois irreverentes, bem aos seus estilos. Um "arqueólogo" d'alma universal e da cabo-verdianidade e o outro um "arqueólogo" da vivência local de interior de Santiago que não deixa de ser de cabo-verdianidade. Uma origem comum, umbigos da criatividade e da "irreverência". Ambos tiveram experiência na diáspora, estudantes em Cuba, que corporizam vários corpos e várias almas.
Os dados biográficos dos dois são conhecidos. As experiências de fuga de normas locais (conservadora e mesquinha) são os ingredientes de sucessos, de espírito livre e de criatividade.

Dados biográficos:

a) Mários Lúcio é uma natureza criativa, músico multi-instrumentalista, escritor e dramaturgo, formado em direito, escolheu a música por mero chamamento de alma. Deixou tudo para se dedicar a via artistica. Realmente, corre na sua veia o pulsar criativo, impressionante, no panorama criativo cabo-verdiano.
já exerceu cargos no panorama político e cultural em Cabo Verde, aufere actualmente um capital cultural e simbólico que não se vê nos seus pares. Sempre ao seu estilo, muito bom, destenido para novas sonoralidades e experiências com outros músicos da humanidade.

b) Princesito, um novo etnógrafo das vivências do quatidiano dos badios e badias. Igualmente formou-se em Cuba no qual bebeu experiência revolucionária de ser e de fazer música de Cabo Verde. Não o conheço pessoalmente, mas sua carga criativa é impressionante. No seu primeiro trabalho spiga transporta-nos para o interior de santiago para cantar as crónicas das pessoas simples, das vivências nas ilhas e a sua remissão para o continente africano. Pilon Kam, grande sucesso bem ao estilo de Manu Chao; Hernani, Hernani meu colega no Porto que tens a dizer?
Mário Lúcio com a cimboa:

Mário Lúcio, ao seu estilo intimista, executa a cimboa que nos faz lembrar o blues. Um performance que cruza sonoridade vocal e instrumental da cimboa muito bem conseguido, pelo que abre para novo campo interpretativo desse instrumento, outrora em desuso. Mário Lúcio faz igualmente uma homenagem à diáspora de escravos que passaram para Cabo Verde.  
Através de programa de salvaguarda, a cimboa caminha a passos largos para a ocupação de novo espaço sonoro na música cabo-verdiana. Quiçá futuramente, em harmonia com o violão de 10 cordas num som de compasso na morna, coladeira e outros géneros musicais...
Em cabo Verde as coisas acontecem de forma inesperada. Já aguém experimentou no seu covil recriar o batuque com violão; recriar funaná com os instrumentos electronicos; recriar novos ritmos em passos acelerados, caso da morna transformado em coladeira... As coisas acontencem sempre no covil da criatividade, cimentar nova alma, nova experiência sonora...
Só falta organização. A capacidade de transformar o produto em retorno para fintar a miséria de muitos artistas cabo-verdianos. Imagina... se apostarem na organização com amor como têm despreendido na criação... era gota d'agua pa tudu boka.
No mesmo video pode ser apreciado Dodu, Pilonkam, Lua, etc.
Boa estadia

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

N´Toni D’Oro: a devida vénia:

No momento em que o país tem perdido grande valores da cultura popular, eis a homenagem ao Sr. Denti d'oro, um exímio artista de batuque. Vénia e mais vénia à este sr. que se encontra doente.


São Domingos fez vénia e aplaudiu de pé a sua maior personalidade cultural viva: N’toni Denti d’Oro. Homenagem justa ao rei do batuco, que mesmo adoentado retribuiu com um show de elevada qualidade.

Esta história está repleta de ouro: no dente de N’toni, no cálice de vinho que o pároco local bebeu em seu louvor, nas fitas que ornamentaram o palco, na carreira impecável do primeiro indivíduo do sexo masculino a invadir um mundo feminino e sobressair-se como rei. E, claro, um galardão de ouro à cerimónia de homenagem que os filhos de São Domingos, terra natal de N’toni Denti D’Oro, lhe fizeram na noite de ontem, sábado, três dias depois de completar 85 anos de vida.
O palco foi um salão Paroquial apinhado de gente – familiares, amigos, artistas e políticos – que foram aplaudir o Rei do batuco. Abriu a cerimónia a ministra da Cultura, Fernanda Marques, que teceu elogiosos comentários à carreira do artista e ao valor que acrescentou à música tradicional cabo-verdiana.


A festa seguiu com a actuação das batucadeiras de Lagoa (localidade de São Domingos) e subiu ao rubro quando N’toni Denti d’Oro surgiu no palco. Apesar da impossibilidade de se manter de pé e tocar o seu inseparável tambor, Denti d’Oro sentou-se no chão e dirigiu as suas batucadeiras, coordenou as meninas a “da ku tornu”, cantou, deitou-se no chão, rebolou, vibrou. Viveu a sua própria festa de homenagem. E manteve sempre, sempre, o seu brilhante sorriso que lhe é característico.
Acto contínuo: aplausos incessantes e ritmos marcantes da txabeta a conferir um enfeite especial e inesperado ao espectáculo. A debilidade física impediu-o de permanecer no palco por mais tempo. N’Toni Denti d’Oro cedeu, então, lugar ao seu amigo Gil Moreira e as suas batucadeiras. Foi outro grande momento da noite: o encontro de gerações, duas faces da mesma tradição, do mesmo amor pelo batuco.
A festa prosseguiu na casa do artista em São Domingos e foi diminuindo à medida que as pessoas, já extasiadas se dispersavam pelo adiantar da noite. Era essa a homenagem que mais desejava? “Estou feliz. A Presidência e o governo já me homenagearam antes, mas isto sabe melhor por que foi aqui na minha terra, junto com a minha família. Melhor do que isto era impossível”. Palavra do Rei.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Santa Catarina: Festividades de Tabanka 2010 arrancam em Chã de Tanque

A abertura oficial das festividades de Tabanka 2010 arrancou com a festa de Santa Cruz, numa altura em que essa manifestação cultural se encontra em estado de agonia.



Segundo o presidente da Associação Nacional de Tabanka (ANT), Luís Leite, este ano a celebração da Santíssima Cruz “foi um momento histórico”. Primeiro, porque contou com a presença da Tabanka de Salineiro, que há 40 anos não participava nas festas. Segundo, porque pela primeira vez a comunidade recebeu a bênção de um padre.
As festas da Santíssima Cruz, que se celebra na comunidade de Ribeirão Grácia, localidade de Chã de Tanque, concelho de Santa Catarina de Santiago, marcaram o arranque das festividades de Tabanka no concelho, que se prolongarão até meados de Julho.
“Da mesma forma que a igreja católica celebra a Nossa senhora de Fátima e Santa Catarina, a Tabanka também celebra os seus santos padroeiros que são quatro: Santa Cruz, a 3 de Maio, Santo António, 13 de Junho, São João Baptista, 24 de Junho e São Pedro, 29 de Junho.
A festa de Santa Cruz iniciou no primeiro domingo de Páscoa com a Salva. A 3 de Maio foi içada a bandeira. No dia 12 de Maio foi feita o “Santamento”, cerimónia em que cada membro da Tabanka diz o que vai ofertar para os festejos. No dia 14, o grupo assistiu à missa na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, seguido de um desfile pela cidade de Assomada. No dia 15 foi “armada” a Corte e realizada uma ladainha com a comunidade de rebelados de Espinho Branco, das 21 até às 7 horas da manhã”, explica Luís leite, presidente da Associação Nacional de Tabanka (ANT).
Domingo é especial, pois é o dia de convívio com grupos de tabanka de outras localidades. Este ano, a Tabanka de Ribeirão Grácia recebeu os grupos de Tabanka do concelho de Santa Cruz e de Salineiro, da Cidade Velha, um momento considerado “histórico” para a comunidade.
“Foi um momento histórico porque a Tabanka de Salineiro, que antigamente participava todos os anos nas festas de Santa Cruz, regressou à Ribeirão Grácia, 40 anos depois, graças à recuperação deste grupo no ano passado”, afirma Luís Leite.
Um outro momento que marcou as festividades de tabanka de Santa Cruz deste ano foi a presença do pároco de Santa Catarina, Angelino Coelho, na comunidade.
“A ida do padre à comunidade foi um reconhecimento de que, realmente, são um povo cristão. Durante muito tempo foram vistos como pessoas estranhas e não cristãs. Mas a presença do padre veio mostrar que a igreja quer ver a cultura de tabanka a desenvolver-se, não quer mais rejeitá-la. É, sem dúvida, uma abertura que a tabanka esperava há muito tempo. Teve um significado profundo na comunidade: A nível religioso acredito que, de agora em diante, a festa passará a ter mais brilho”, assegura o responsável da ANT.
As festas de tabanka no concelho Santa Catarina irão prolongar-se até meados de Julho.
Tabanka em estado de agonia
Apesar do clima de festa que se vive por estas alturas nas várias comunidades de Tabanka de Santa Catarina, Luís Leite não deixa de chamar a atenção para o estado em que se encontra a tabanka.
Segundo Leite, dos mais de 50 grupos de tabanka que existiam em Cabo Verde restam apenas 17, que sobrevivem a duras penas.
“À maioria dos grupos falta tudo: instrumentos, capela e vestuários. As únicas tabankas que se encontram “vestidas” neste momento são as três tabankas da Praia: Achada Santo António, Várzea e Achada Grande. A tabanka está a atravessar sérios problemas”, sentencia Luís Leite.
Para aquele responsável, tratando-se de um Património Cultural Nacional e com a pretensão de vir a ser Património Mundial, a tabanka merece um tratamento “sério” não só por parte do poder central como também do poder local.
“É preciso criar um programa com vista a apoiar os grupos que ainda existem. Ao poder central, eu sugiro a atribuição de um subsídio anual e o financiamento de projectos com vista a aquisição de instrumentos e vestuários e a construção e reabilitação de algumas capelas. Ao poder local, cabe-lhes apoiar a realização de festivais de tabanka nos concelhos onde haja grupos.
No ano passado foram recuperados dois grupos: Tabanka de Salineiro, da Cidade Velha, e Tabanka de Ribeira Acima, de Santa Catarina. Luís Leite acredita que, caso houver ajuda por parte do Ministério da Cultura, será possível recuperar, pelo menos, mais cinco grupos.
Actualmente existem 17 grupos de tabanka activos: 3 na cidade da Praia, 11 em Santa Catarina, 1 em Santa Cruz, 1 em Salineiro, Cidade Velha, e 1 na ilha do Maio.
Raquel Mendes


para mais informação consultar: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tabanca


Tabanca de Achada Grande 2007

Recriação de tabanca de um dos bairros da cidade da Praia. A fuga para o espaço lúdico alimenta muita curiosidade dos populares cujo envolvimento no cortejo quebra a fronteira da representação por parte dos expectadores. A tabanca perdeu a sua função social que esteve na sua origem para se tornar num folclore, manifestação de curiosidade por parte dos orgãos oficiais e elementos da comunidade. Existe grande lacuna no processo de reconstrução da tabanca, caso mais saliente é a sua reconstrução no museu com o mesmo nome. Trabalho de museologia e museografia precisa-se...

Diáspora: Curso de língua e cultura Cabo-Verdiana promovido nos Açores

DIÁSPORA.MOV


A Associação de Imigrantes dos Açores (AIPA) vai promover um Curso Livre de Introdução à Língua e Cultura Cabo-Verdiana.
A iniciativa tem por objectivo reforçar o conhecimento da cultura de origem dos imigrantes cabo-verdianos junto da população açoriana, na convicção de que o conhecimento de outras línguas e culturas desempenha um papel central no diálogo intercultural e na própria integração dos imigrantes.
De acordo com a Rádio Atlântida dos Açores, que cita o presidente da AIPA, Paulo Mendes, "esta será uma forma de contribuir para o fortalecimento das pontes culturais ente dois arquipélagos".
O presidente da AIPA diz ser necessário abrir horizontes ao conhecimento, despertando a população para a multiculturalidade.
E neste campo, "não basta existir esse conhecimento, é preciso criar oportunidades para construir a interculturalidade", diz Paulo Mendes.
A formação pode ser frequentada por qualquer pessoa e decorrerá nos concelhos de Ponta Delgada e Angra do Heroísmo.

Cultura: SOCA participa na Feira do Livro em Odivelas

DIÁSPORA.MOV-


A Sociedade Cabo-verdiana de Autores vai estar presente na Feira do Livro da Câmara Municipal de Odivelas, Portugal, que decorre de 23 de Fevereiro a 06 de Março.
O Presidente da SOCA, Daniel Spínola, irá acompanhado pelo poeta Novissíl de Fasejo, pseudónimo de Domingos Lamdim de Barros Tavares, autor do livro O Diadema do Rei, recentemente publicado pela SocaEdições.
O livro de cerca de 220 páginas, que reúne poemas de matizes diversos, desde o lírico ao satírico e à incidência épica, vai ser apresentado no dia 25 de Fevereiro, estando prevista a apresentação do livro Cabo Verde e As Artes Plásticas, da autoria de Danny Spínola para o dia 03 de Março.
Estão ainda previstos lançamentos dos mesmos livros nalgumas Associações cabo-verdianas em Lisboa, no Porto, em Faro.
A SOCAEdições vai estar representada ainda com as quatro revistas SOCAMagazine, já editadas mais o livro Na Roda do Sexo, da autoria de Fernando Monteiro, também recentemente editada pela SOCA.
O evento irá ainda contar com momentos especiais da cultura de Cabo Verde, nomeadamente Poesia sonora de Francisco Fragoso; Poesia teatralizada pelo Grupo Cénico "Tchon di Kauverdi", com a presença do escritor, encenador e director artístico Francisco Fragoso; Escultura de Kassanaya e Pintura de António Firmino.
A cerimónia de abertura da feira do livro de Odivelas está marcada para esta quarta-feira, 23 de Fevereiro, pelas 19h30. 


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Capela da Praia de Nossa Senhora d’Encarnação (ilha do Fogo)



Mas um lugar de memória que se tornou invisível aos olhos da comunidade e dos órgãos oficiais, a Capela de Nossa Senhora d’Encarnação (Pranossiora). Mais uma imagem do professor Fausto de Rosário que nos mostra o avançado estado de degradação da capela, um edifício de uma planta rectangular, de um piso, de telhado de duas águas, de uma porta na fachada principal e janelas nas laterais.
As informações contidas na fotografia não nos permitem grande margem de especulação descritiva.
Mas uma matéria para quem se interessa pela história local.

O que é a cimboa?

Para mais informações consultar: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cimboa

PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA DA CIMBOA

A SEMANA
«PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA DA CIMBOA»
NA «ESCOLA SIMBOA» - PALÁCIO ILDO LOBO

de 22 a 27 de Fevereiro entre as 15h e as 21h30

Actividades Paraellas

23: APRESENTAÇÃO DO PROJECTO «PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA DA CIMBOA» E ENTREGA DE DESDOBRAVEIS SOBRE A CIMBOA. O QUE A CIMBOA? COMO SE FABRICA? QUAL A MAIS – VALIA DO «PROJECTO CIMBOA»

17h


24: ENCONTRO DE ALUNOS DA ESCOLA COM OS MESTRES «NHO EUGÉNIO», ROQUE SANCHES (BANDA) E ARLINDO SANCHES. SESSAO DE TOQUE DE CIMBOA COM MUSICOS QUE JÁ USAM CIMBOA

16H00.



25: PALESTRA SOBRE O PATRIMONIO IMATERIAL NACIONAL, POR UM QUADRO DO IIPC, COM ENFOQUE NA CIMBOA Ø ENTREGA OFICIAL DE CIMBOAS À ESCOLA Ø ACTO DE ENCERRAMENTO

16H00.

Nas sessões de formação já realizadas foram confeccionadas por jovens de todos os Municípios do interior da ilha de Santiago mais de uma centena de cimboas que, após a conclusão do projecto, serão enviadas a todas as escolas de música do país e expostas nos diferentes museus temáticos.

De salientar que o «Projecto Memória da CIMBOA» é financiado pela UNESCO, através dos Fundos do Governo Japonês.

A Direcção do Instituto e do Palácio da Cultura estarão disponíveis para prestar todos os esclarecimentos que V. Excelências julgarem necessários sobre a realização desta Semana e do projecto, no geral.


Fonte: DÁ FALA  http://www.buala.org/

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cidade Velha é tema de concurso de vídeos


A Cidade Velha é tema de concurso de vídeos intitulado “A minha cidade, nosso Património Mundial”, que decorre até 31 de Maio. O objectivo é a produção de vídeos sobre o sítio Património Mundial, com duração de até cinco minutos. Poderão participar jovens com idade compreendida entre 14 e 21 anos.

Os filmes, que devem ser produzidos por residentes da Cidade Velha, candidatam-se a dois prémios de cerca de 45 mil escudos. Além disso, os vencedores serão premiados com uma viagem ao congresso Mundial da OCPD, em Sintra, Portugal, onde haverá uma sessão para apresentar os vídeos.
O concurso é organizado pela Organização das Cidades Património Mundial (OCPM), em parceria com a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago.
Carina David

[poema] - Praia ku tchuba [Cidade da Praia quando chove]



Praia ku tchuba [Praia quando chove]
Sufrimentu é universal [sofrimento é universal]
ka tem funko [não há casa de pobre]

Ka tem sobradu [não há casa de rico]

ka tem rico [não há rico]

ka tem pobre [não há pobre]

ka tem bunito [não há pessoas bonitas]

ka tem feio [nem pessoas feias]

Praia ora ki tchobi [Praia quando chove]
é koketel por todo lado [coquetel para todo lado]

zonas ta bóia [Zonas submersas]

animal ta bóia [animais a tona]

vizinhus ta tchora [choros na vizinhança]

alguém ta scorega [terreno escorregadio]

carrus ta 'ntola [carros encravados]

Praia ora ki tchobi [Praia quando chove]

tudu é konfuson [tudo é confusão]

lama é Cheguevara [lama é revolucionária]

lama é sanguisuga [lama é sanguessuga]

lama é xatu [lama é chatice]

Praia ora ki tchobi é maz feia,[Praia quando chove é mais feia]

Cara feia ka doxi [de cara feia e feia]

ka nobidadi pa konta [não há novidades para contar]

ka bastion di progressu [não é bastião de progresso]

Praia ora ki tchobi [Praia quando chove]
é doz sentimentu [são dois sentimentos]
alegria e tristeza [é alegria e tristeza]

ligria na rostu miniz ki ta brinka [alegria das crianças que  brincam]

tristeza na zonas disgrasadus [tristeza nas zonas desgraçada]

Vila Nova, Tchadinha baxu, [Vila Nova, Achadinha Baixo]

varzea ta boia, boia...[Várzea submersa]
politikus ka odja [os políticos não viram]
Vitoria di priguisa i incúria [vitória da preguiça e da incúria]
Ai Praia, Praia [Praia, Praia]
Di mitus i realidadi [de mitos e realidade]
Praia di mil rostus [Praia de rosto mil]
Di sonhu i desalentu [de sonho e desalento]
Kem kil odjabu praia… [quem te viu quem te vê]

IIPC promove actividades na comemoração do dia internacional da língua materna


[Hoje é o dia internacional da lingua materna.  No caso específico de Cabo Verde e da diáspora hoje é dia da lingua cabo-verdiana, o crioulo. Hoje vou dedicar alguns post a nossa lingua].



O Instituto de Investigação do Património Cultural (IIPC) vai realizar hoje e amanhã, no âmbito da comemoração do Dia Internacional da Língua Materna, uma série de actividades abertas à comunidade. O programa inclui no roteiro de actividades a cidade da Praia e do Mindelo.

Hoje, 21, é lançado no Campus da Uni-CV, no Palmarejo, o livro Na Bóka Noti V, de Tomé Varela Silva. Ainda esta segunda-feira, em São Vicente, tem lugar uma exposição sobre a História da Educação em Cabo Verde, além de apresentar também obras sobre a Tapeçaria e a Cartografia do arquipélago.
Amanhã, terça-feira, vão ser ministradas duas palestras sobre a Língua cabo-verdiana, apresentadas por Tomé Varela da Silva. A primeira tem lugar na Escola Técnica de Santa Catarina e a segunda na Escola Secundária de Calheta.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Festa da bandeira - Banderona oh que sabe



Este video é uma viagem para alguns traços de Cabo Verde. Começa com a ilha do Fogo, com a banderona, depois segue para brejeirice das pessoas do fogo, termina com várias musicas de verão 2009. Basta clicar no video.
Boa estadia e um bom fim de semana.

Campanas de Baixo em festa para comemorar “Banderona”



A comunidade de Campanas de Baixo, no concelho de São Filipe, Fogo, celebra até 28 de Fevereiro a “Banderona”. É uma festa tradicional de cariz profano-religioso que ganhou tal designação por ser a mais longa em toda a Ilha do Fogo

A festa começou no último fim-de-semana, com o fincar das barracas e o ritual do pilão (preparação do milho para o almoço) prolonga-se até véspera da matança dos animais na casa do festeiro e na casa de Praia. Depois há a tradicional matança dos animais cuja carne é utilizada para o almoço que é servido a centenas de convidados. E com a festa no seu auge nomeia-se o novo festeiro, entidade que terá a responsabilidade de repetir a tradição no próximo ano.
A Bandeira, que leva centenas de pessoas a Campanas, surgiu há mais de dois séculos. Reza a lenda que surgiu quando as pessoas daquela região ouviram no assobiar do vento, sons comparados com o toque de tambor e cantigas no ar, ao longo de 10 dias. Seguiram-se relâmpagos, trovões, tendo um raio caído numa Ribeira onde brincavam algumas crianças. A partir daí, a festa começou com as crianças que tocavam em latas. Com o passar dos anos, a festa foi ganhando dimensão e hoje é uma das mais antigas de Cabo Verde.

Pilão e Colá
Os dias da Bandeirona são feitos de pilão e muito “colá”. O ritual da matança dos animais acontece um dia antes do término da festa e é considerado como um dos momentos mais esperados da Banderona.
A matança é acompanhada pelo rufar dos tambores e cânticos das “coladeras”. Enquanto decorre a matança, e segundo o ritual da festa, surgem ladrões mascarados, que roubam e desaparecem, mas que nesse dia são apanhados e amarrados. No vigésimo terceiro dia da Festa, a Bandeira é levada à igreja para a celebração da missa e para receber a bênção do padre, regressando, de novo, à casa do festeiro, onde é colocada num altar, para ouvir as promessas e para lhe acenderem velas.
Conjuntamente com o “Kordidjeru” (governador da festa) existe a figura do juiz, que auxilia aquele a presidir à votação ou nomeação dos festeiros que deverão tomar as bandeiras para o ano seguinte. Essa escolha faz-se na cerimónia denominada de “Bote”, que se realiza depois da fixação do mastro. Para acompanhar as actividades da Banderona, existe um corpo de coladores (homens e mulheres), responsáveis pelos cânticos e coro, que são acompanhados por dois ou mais “caxerus” ou tamboreiros, que tocam os vários ritmos do “brial-de-bandeira”, bem típico do Fogo. Os coladores ou coladeras vão colando, cantando, elogiando as pessoas ou enaltecendo um ou outro evento. Responde-lhes o coro, o chamado “kudi baxon”, enquanto os tambores vão rufando de forma ritmada e certa, com raras variações.


Afirmação social
O festeiro deste ano é Rodrigo Tavares, um filho de Campanas. A cada ano os festeiros homenageiam uma figura daquela localidade que se tenha destacado em qualquer actividade. De recordar que “tomar bandeira” é um acto de fé que honra uma promessa, mas também um gesto de afirmação social. Daí que nos últimos anos a Banderona tenha sido “tomada” apenas por emigrantes; em regra, pessoas com alguma posse em termos materiais e financeiros. Este ano a festa será animada com espectáculos musicais, ao vivo. Nho Nany, Amadeu Fontes, Dj’Dos e Leonel Almeida são os senhores que se perfilam no palco.


URIL – Cultura Cabo-Verdiana, Associação


Está marcada para a tarde (15h30) deste domingo, 20, na sede da Associação Cabo-Verdiana, na Rua Duque de Palmela, em Lisboa, a Assembleia fundadora da URIL – Cultura Cabo-Verdiana, Associação.
A URIL pretende ser uma associação de carácter cultural, de direito privado, de inscrição facultativa, aberta a qualquer cidadão maior, independentemente da sua origem. Associação sem fins lucrativos, nasceu da vontade de um grupo de artistas, criadores, intelectuais, e agentes culturais das mais diversas áreas criativas. Objectivo? Organizar, estruturar e promover a sua intervenção em Portugal e no mundo, tendo como elo comum a Cultura Cabo-Verdiana.
Apesar do vazio organizativo e da pouca visibilidade prevalecentes, os artistas, criadores, intelectuais e agentes culturais têm contribuído decisivamente para o prestígio da Cultura Cabo-verdiana, e de Cabo Verde, no mundo, dando provas da sua capacidade, do seu mérito e da sua singularidade.
"O sucesso desta Associação depende unicamente da nossa vontade de djunta-mon, e de acreditarmos que é possível, de novo, fincar os pés no chão e sonhar", dizem os seus promotores.

Fonte: http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article61558&ak=1

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Aguadinha de djar Fogo


Através de uma visita ao facebook deparei-me com algumas relíquias postadas pelo Fausto, professor, da ilha do Fogo. O primeiro edifício a ser celebrado é um lugar de lugar memória de estilo neoclássico, simbólico no contexto da ilha do Fogo. Não tenho informação concreta sobre o edifício em análise, mas sim, algumas considerações postado pelo Fausto; um dos “monumentos mais emblemáticos da cidade e, segundo Teixeira de Sousa, o seu principal miradouro: o reservatório de Aguadinha, tendo-se iniciado a construção em 1894, ainda sob a governação de Serpa Pinto, com término em 1913, ano em foi inaugurado.” Diga-se de passagem, trata-se de um lugar muito impor

tante para a história local: figuras locais, mitos, namoricos e a transversalidade de classe, género. "Destinava-se, primeiramente a receber a captação da nascente de Aguadinha, situada no sopé da serra a mais de 20 km, sendo esta a razão do nome que ostenta. Mais tarde foi reconvertida para receber a captação da Praia do Ladrão. Por décadas, principal lugar de abastecimento de água, gerou figura inesqueciveis como Nhô Armandim, Totone Micia ou Tchontcha Bassora... Lugar de uma boa cavaqueira ao fim da tarde ou de encontro de namorados"...



Uma pequena descrição:

Para fazer a descrição deste edifício contei com o apoio de uma pessoa querida que me forneceu em tom ligeiro algumas informações; pode-se ver a intemporalidade deste edifício, com alguns traços que o caracteriza como neoclássico, embora com algumas notas barrocas, no que diz respeito à escadaria de dois lanços de acesso ao andar nobre e colunas no pátio superior tentando dar alguma movimentação à fachada, assim como a existência do jardim. Contudo as colunas acentuam igualmente a verticalidade neoclássica complementada nos edifícios. E é tipicamente neoclássica na sua disposição horizontal da fachada recta, com vãos organizados horizontalmente. Este classicismo verifica-se ainda na balaustrada que remata o edifício, nas paredes lisas sem a movimentação barroca, assim como a falta de variedade nos remates dos vãos. Ainda como a existência de mais do que uma entrada principal, afastando-se da importância dada à entrada principal do barroco.
Contudo é uma construção de dimensões reduzidas, cuja verticalidade e horizontalidade é dada através da ajuda dos vãos, da balaustrada e dos pilares.

“A CIDADE DE SONHOS” APRESENTA-SE AO PÚBLICO


Um olhar penetrante pela velha urbe colonial e capital da jovem Nação cabo-verdiana, tendo como “guias” dois carteiros dos Correios de Cabo Verde
Praia, 19 Fevereiro – É já no próximo dia 23, quarta-feira, que se apresenta em antestreia “A Cidade de Sonhos”, o último filme do realizador cabo-verdiano Júlio Silvão. Vai ser pelas 18h00 desse dia, no Palácio da Cultura Ildo lobo, no Plateau.
O filme/documentário (52 minutos) alude à cidade da Praia, a capital de nossa terra e pólo de confluência de várias culturas, cruzamento de etnias e, mesmo nessa agitada diversidade de sons e movimento, espaço de solidão e interioridade. Mas, de igual modo, urbe de convivências, de cumplicidades e afectos -traço característico que - pese embora a “modernidade” caótica do seu crescimento - ainda não se perdeu.

Fonte: http://liberal.sapo.cv/noticia.asp?idEdicao=64&id=31920&idSeccao=518&Action=noticia

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Concurso de canto “vozes da Diaspora Cabo-verdiana em Portugal”


Abertura de inscrições para concurso de canto - Edição 2011
REGULAMENTO DO CONCURSO VOZES DA DIÁSPORA CABO-VERDIANA EM PORTUGAL 2011
1. Não há limite de idades; só se aceitam inscrições individuais
Escalões:     1 - até aos 13 anos;      2 - dos 14 aos 18 anos;      3 - Maiores de 19 anos
Categorias:   1 - temas originais;      2 - temas não originais
O/A vencedor/a do concurso anterior é a única pessoa que não pode participar.
Participantes
2. Interpretar a solo uma música de Cabo Verde em Crioulo
3. Ter residência em Portugal
Inscrição
4. Envio para: “vozesdadiasporacv@gmail.com” Nome completo; Morada completa; Cod.Postal; Nº de telemóvel; Cópia de documento de identificação, e para as pessoas que não têm a nacionalidade Cabo-verdiana têm que enviar uma cópia de documento que prove a sua relação com Cabo Verde (atenção só se aceitam inscrições por e-mail)

Fonte: Dá Fala http://www.buala.org/

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Cabo Verde discute património cultural em Maputo


Cabo Verde - representado pelo Ministério de Ensino Superior, Ciência e Cultura - vai a Maputo, Moçambique, participar numa reunião com os outros países de língua portuguesa onde será debatida a hipótese de se criar um Centro de Formação em Gestão do Património Cultural.

A reunião tem como principal motivação a organização dos países de língua oficial portuguesa em torno de interesses ligados ao património cultural. Como indica o próprio Termo de Referência - redigido em Maputo pela Direcção Nacional de Cultura daquele país - o continente africano tem dois centros de formação sobre gestão do património: um no Quénia e outro em Benim.
Por razões linguísticas, os PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) sempre se sentiram à margem da discussão do património em África. O director de Salvaguarda do Património do Instituto de Investigação do Património Histórico (IIPC) de Cabo Verde considera o encontro valioso não só para se discutir uma maior independência linguística dos países de língua oficial portuguesa.
Segundo Hamilton Fernandes, o encontro também definirá metas de actuação do continente frente aos órgãos internacionais de gestão do património histórico da humanidade.
O encontro tem lugar na cidade de Maputo nos dias 21 e 22 de Fevereiro e trará discussões como inventariação e classificação do património, pesquisa e disseminação das políticas públicas.
Os trabalhos contam, igualmente, com a participação de Portugal e Brasil, e no fim, espera-se conceber um documento que vai nortear o desenvolvimento do património histórico nos PALOP.


Cidade em trânsito e o património: centro interpretativo, roteiro e a contemporaneidade

Começo por dizer que partilhar opiniões, sentimentos e visões do mundo é sempre um prazer para quem ama profundamente a sua cidade natal. Praia é a minha cidade, meu torrão que liga o meu peito e umbigo. Mário Lúcio, artista a quem muito admiro, canta raiz de ceu ti mar, é um raiz kim conxe… nha pêtu é si txom nha umbigo é si simenti. É o orgulho na raiz e a expectativa de um futuro risonho que desejo a cidade da Praia, enquanto espaço de trânsito e de memória.
Vou dedicar este post à cidade da Praia enquanto espaço em trânsito de passado, presente e futuro. A vida na cidade balizada no ritmo frenético do quotidiano não deixa espaço para o entendimento, a compreensão e o viver na cidade. A monetarização da vida, a atitude blasé, o tempo relógio, não deixam espaços para o reencontro com a memória. As pessoas desconhecem a sua história, pouca atenção dão ao filão que contribuiu para a construção da identidade social.
Que tal um programa domingo na Praia: um reencontro com a memória
Proponho a criação de um roteiro de espaços integrados de alguns dos principais lugares de memória da cidade. Caso do Liceu Domingos Ramos, Quintal da Música (incluindo o espaço raiz de pólon), Parque 5 de Julho, Museu Etnográfico, Palácio Ildo Lobo, Paços do Concelho, Quartel Jaime Mota. São espaços culturais e institucionais que carecem de uma visão integrada para a efetivação do projecto. Tudo depende da vontade das entidades em presença.

Liceu Domingos Ramos
Proponho a criação de um centro interpretativo no Liceu Domingos Ramos. Trata-se de um Liceu de grande valor histórico e simbólico na cidade onde a maioria dos quadros cabo-verdianos se formou; é um espaço em trânsito, reconciliador com a memória, espaço da (re)construção de identidade e a ponte para o futuro. No centro interpretativo deve constar a memória educativa do Liceu, galeria de fotografias e outros recursos da memória.
 
Quintal da Música
A contemporaneidade, a dança em trânsito, procura através dos discursos da memória criar a ponte de uma cidade-porto dos morgados, dos escravos… A Praia contemporânea com o seu pulsar do dia-a-dia dos amores e desamores, dos sucessos e fracassos, do mito e da realidade.


Parque 5 de Julho
Espaço cultural, de recreio de grande importância na cidade. Quem não se lembra dos grandes eventos culturais desse espaço? Espaço do dia e da noite. Agregador de multidões e de diluição de fronteiras sociais. Também proponho um centro interpretativo nesse espaço que retrate os feitos da vida cultural na cidade.

Museu Etnográfico
Aproveitar o conteúdo expositivo e integrar com a filosofia do roteiro.


Palácio da Cultura Ildo Lobo
 Aproveitar os recursos existentes e integrar com a filosofia do roteiro.

Praça Alexandre Albuquerque - Praia
Lugar de recreio e de sociabilidade.


Paços do Concelho da Praia
Proponho um centro interpretativo com a criação de uma galeria que retrate os processos da construção da cidade, da sua fundação a actualidade.

Quartel Jaime Mota
Desmistificar as imagens das forças armadas e aproximar essa instituição da população. A criação de um núcleo interpretativo que retrate a memória institucional das Forças Armadas.

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Homenagem: Novo bispo auxiliar de Belém, Brasil, é cabo-verdiano


Parabens meu primo Tiago. Muito Orgulho...

Teodoro Mendes Tavares foi nomeado pelo Para Bento XVI para ser bispo auxiliar em Belém, no Brasil. É cabo-verdiano, natural de Santiago, onde vai ser ordenado a 8 de Março para rumar ao Brasil onde assume funções a 23 de Junho, na Arquidiocese de Belém.

O Papa Bento XVI nomeou-o a 1 de Fevereiro deste ano bispo auxiliar da Arquidiocese de Belém, no Estado de Pará, Brasil, e será ordenado a 8 de Março, na ilha de Santiago, em Cabo Verde, na terra que o viu nascer a 7 de Janeiro de 1964.
Teodoro Mendes Tavares ingressou na Congregação dos Missionários do Espírito Santo em 1984. No mesmo ano viajou para Portugal, a fim de continuar sua formação religiosa e académica, para o ministério ordenado.
Em 1985, iniciou o noviciado e em 1986 fez a primeira profissão religiosa. A profissão perpétua veio em 1989. Antes, em 1986, Teodoro cursou Filosofia na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, em Braga. Logo após, em 1988, ele fez o curso de Teologia e Licenciatura em Lisboa.
Foi ordenado presbítero, em Cabo Verde, em 11 de Julho de 1993 e em 1994 chegou pela primeira vez ao Brasil para exercer a Missão na Amazónia.
A solicitação de um bispo auxiliar pelo arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira, foi feita em Junho de 2010 ao Papa e foi aceite em Setembro do mesmo ano. No dia 1 de Fevereiro de 2011, o Santo Padre anunciou a sua escolha.
Para o arcebispo, a experiência de Teodoro Tavares pode ter sido o factor chave na escolha. “O currículo dele, a experiência amazónica, e mesmo a formação académica dele deve ter contribuído para ser escolhido pelo Papa para assumir o cargo”, comenta.
Entre as responsabilidades do novo bispo está a realização de crismas e a formação de pastorais. “Ele vai exercer as mesmas funções do arcebispo. Não há diferenças. Ele vem para dividir as tarefas comigo. Assim que ele começar a actuar vamos sentar e ver o que cada um irá fazer daqui para frente”, afirmou Taveira.
O novo bispo será ordenado no dia 8 de Março na Ilha de Santiago e deve começar na Arquidiocese de Belém no dia 23 de Junho, dia de Corpus Christi. Durante este período de intervalo, Teodoro Taveira deverá “desligar-se das outras funções sacerdotais e começar a dedicar-se exclusivamente à Arquidiocese”.
A Província de Belém, como a Igreja Católica denomina o conjunto de igrejas que fazem parte da Arquidiocese de Belém, conta hoje com 15 Dioceses, entre Pará e Amapá, além da própria Arquidiocese, com sede em Belém.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Norberto Tavares e Codé di Dona emprestem nome a Fundações do Governo

Norberto Tavares e Codé di Dona são dois dos modelos da cultura cabo-verdiana que poderão emprestar os respectivos nomes a duas fundações que o Governo pretende criar. Em entrevista à RCV, na segunda-feira, 14, a ministra do Ensino Superior, Ciência e Cultura, Fernanda Marques, disse que "a figura da fundação poderá ser de direito público ou de origem pública no direito privado".
Marques afirmou que o objectivo de trazer a público esta ideia organizativa das fundações "é de testar a capacidade dos núcleos se associarem em termos de sociedade civil, sendo que o estado não é criador, mas aquele que dá poder de gestão a nível do desenvolvimento da cultura".
A ministra do Ensino Superior, Ciência e Cultura, disse que Cabo Verde, dispõe de excelentes, artistas, mas que não se pode criar uma fundação com o nome de cada um. Contudo, acredita que o País saberá valorizar os homens da cultura.
"Esta dinâmica, far-se-á pela capacidade de desenvolvimento a volta desses nomes. Temos nomes que, provavelmente, não darão para fazer uma fundação a cada um, senão cairíamos num contra senso. Esta figura surgiu de uma conversa com os familiares de Norberto Tavares e posteriormente, com os de Codé di Dona e tem a ver com uma forma de nós desenvolvermos e sobretudo, de desenvolver esse recurso estratégico -potencial que Cabo Verde tem que é a Cultura" justificou, Fernanda Marques, a escolha dos nomes de Norberto Tavares e Codé di Dona para as fundações.
A criação das fundações Norberto Tavares e Codé di Dona integra-se, no entender da ministra Fernanda Marques, num vasto programa, que é a política cultural cabo-verdiana.
A Fundação é uma instituição não estatal, dotada de património próprio. Tem por missão realizar um ou mais objectivos de interesse geral, a nível de desenvolvimento científico, educativo e artístico.

Ntoni Denti d’Oro homenageado em São Domingos

Ntoni Denti d’Oro faz 85 anos hoje, 16. A prenda é uma homenagem dos filhos de São Domingos, terra natal do Rei do batuco, a acontecer no sábado, 19, no Salão Paroquial do centro de Várzea da Igreja.

Manel di Candinho, também natural desse concelho do interior de Santiago, e o grupo Bom Jardim, integrado pelos filhos de outro grande mestre de São Domingos, Ano Nobu, despontam como os cabeças de cartaz da festa de homenagem a Ntoni Denti d’Oro, rei do batuco e umas das grandes figuras do espectro cultural cabo-verdiano. Outros músicos, personalidades políticas e amigos do artista octogenário, como o Presidente da República, Pedro Pires, deverão marcar presença na cerimónia.
A iniciativa é de um grupo de jovens de São Domingos que decidiu agraciar NToni Denti D’Oro pela sua carreira e pelo seu contributo para a música tradicional cabo-verdiana.
Exímio na arte da “txabeta”, Denti D’Oro também sobressai no finaçon, tendo feito um dueto memorável com Nacia Gomi, a rainha deste género cultural cabo-verdiano.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

MINDELO… temos cultura? Cultura, economia e turismo

5ª Sessão dos Encontros
Dia 15 de Fevereiro, 3ª feira às 18h00 na Universidade Lusófona

A cidade de Mindelo está em constante transformação. Nos últimos anos têm surgido novos espaços e agentes culturais e o desenvolvimento do ensino superior povoou a cidade com estudantes universitários. Para uns, a identidade cultural da cidade tem-se reforçado enquanto que, para outros, a cidade está a definhar tanto do ponto de vista económico como cultural. Mindelo ainda é capital da cultura ou a cidade perdeu o seu mais importante capital?
O ciclo de encontros Mindelo… temos cultura?  enquadra-se num projecto de investigação sobre o contexto cultural e criativo do Mindelo, que está a ser realizado pela antropóloga Rita Lobo desde Junho de 2010, e tem como objectivo criar um espaço de reflexão e discussão sobre Mindelo enquanto cidade que se afirma e se identifica como cidade cultural. O Ciclo será constituído por seis encontros com temas e convidados diferentes. Porque se pretende uma ampla participação do público, não se escolheu o modelo de palestras mas sim de conversas que serão moderadas por Rita Lobo e Irineu Rocha.
Os encontros resultam duma parceria entre o Instituto Camões/Centro Cultural Português, o Centro Cultural do Mindelo e o M_EIA, Instituto Universitário de Arte, Tecnologia e Cultura e contam com o apoio da Universidade Lusófona, Casa Senador Vera Cruz, Universidade de Cabo Verde e TCV.

fonte: info@buala.org DÁ FALA  http://www.buala.org/

Para uma acção integrada envolvendo a comunidade.


Em Cabo Verde as autoridades precisam mudar de modelos de actuação no que respeita aos processos de conservação do património. Qualquer acção desgarrada de envolvimento da comunidade peca em termos de valores, de ideias e de responsabilização. Para que serve restaurar, conservar sem envolver a comunidade? Será que a alienação da comunidade nos processos da vida colectiva trará vantagem em termos de responsabilização? Claro que não. Envolver a comunidade nas acções do património fomentará a cidadania e a responsabilização pelas questões patrimoniais e o desenvolvimento local.
Pelos visto isto não está sendo feito, infelizmente… O património nunca deve ser visto como mumificação da memória colectiva. O património é o condimento, é a matéria da vida, é a espiritualidade da vivência colectiva. Uma das várias lacunas em Cabo Verde é acção cultural … acção cultural é a que mais faz falta em Cabo Verde. É preciso criar conteúdos, discursos integrados que envolvem a comunidade, o património e os visitantes.
O património é como uma moeda: valor de troca e valor simbólico.