Monumento Revolta Ribeirão Manuel

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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O que é e para quê a economia da cultura? Dialogando com os meus botões


Durante os últimos tempos tem-se falado muito da economia da cultura. Este conceito é fruto da transdisciplinaridade entre as duas dimensões: a economia e a cultura. Cabral antes de morrer falou da necessidade de valorizar a cultura local. Le Goff já tinha falado da necessidade de dar valor à cultura, enquanto elemento transversal de todas as actividades governamentais, sendo um elemento indispensável para a eficácia e a eficiência da actividade governamental e da vida colectiva. O Le Goff tinha razão. Entretanto, os governos nunca se aperceberam da importância deste sector para a economia e para a felicidade colectiva. A cultura foi e é sempre vista como parente pobre das acções governativas. Os governantes vêem nos criadores e agentes culturais como pedintes, como sonhadores que pertencem à utopia de Hobbes. Enfim tudo errado.
Em Cabo Verde este assunto já virou moda. No entanto constata-se muita prosa e hipocrisia nisto tudo. Os criadores nacionais são constantemente empurrado para o desespero porque não há mecanismo que os protejam, inexistência de apoio porque o bolo de orçamento não dá para satisfazer as demandas; a SOCA (sociedade dos criadores cabo-verdianos) apesar da sua existência ainda está longe da sua real eficácia; o anterior governante, Manuel Veiga fez tudo em desconforme com o programa do governo, daí a sua suspensão; esta nova ministra Fernanda Marques, no fim da legislatura traz um conjunto de disposições, servindo de pauta para a legislação da nossa economia da cultura, certo é que ainda está na fase da recolha de subsídios; na TCV, na notícia de 29 de Outubro, apresenta uma peça morna, triste e de pessoas com olhares apreensivos que pensa como será e porque será.  
Vendo para os meus botões, achei melhor dar umas dicas ao pessoal lá na República para tomarem notas. Realmente se se pretende desenvolver uma economia da cultura serão necessárias várias acções que infelizmente não foram desenvolvidos: trabalho de levantamento da memória colectiva e institucional, isto é, inventariar o património cultural existente; legislar com novo enquadramento para proteger o património cultural; criar uma política para o mesmo; incentivar e apoiar os criadores com bolsas de formação para que possam desenvolver as suas habilidades; desenvolver a industria criativa com base no nosso património imaterial, caso de design, banda desenhadas, Romances, audiovisual, etc.; descentralizar os processos, criando delegações nas ilhas; aumentar o bolo orçamental: para criar espaços culturais, apostar na internacionalização com a criação de agências para o efeito; incentivar os novos jovens quadros para criarem sofware, base de dados das nossas produções culturais; parece-me que muitas massas criativas podem dar um valioso contributo sobre esse aspecto; compilar os nossos acervos de todas manifestações culturais; incentivar trabalhos inovadores que espelhem a nossa realidade cultural, etc.
Enfim, com os meus botões posso dizer muitas coisas. São verdades convenientes e inconvenientes para muitas pessoas que tiveram oportunidade de fazer e não o fizeram. Outra coisa importante é a criação de mecanismos de prestação de contas dos nossos responsáveis.
Não falei da política museológica, no quadro, da chamada industria cultural porque é um assunto que merece uma atenção mais cuidada. Na mesma senda reflectirei sobre o power da nossa música na nossa indústria cultural, concomitantemente com outras formas de expressão cultural. Na minha opinião, o campo cultural cabo-verdiano precisa muito de um empurrão. Nisso cabe ao governo harmonizar as necessárias avenças para com o futuro.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Portfólio - Cabo Verde em imagens. Parques naturais de Cabo Verde


A preocupação com a preservação da natureza e desenvolvimento sustentado, baseado no ecoturismo, têm sido desenvolvidos em Cabo Verde inúmeros parques naturais. Os recursos naturais não abundam, pelo que são necessários galvanizar os recursos existentes com a estratégia de preservação da natureza e de desenvolvimento comunitário.
As diversas áreas protegidas fazem parte do rol de estratégias para o desenvolvimento local fomentado no ecoturismo e na protecção da natureza. Fazem parte desta estratégia os parques nacionais que preservam o ambiente da massificação e da construção desenfreada das habitações e projectos turísticos. Essas áreas protegidas podem ser visitadas para o deleite e para a educação ambiental, conservando-as para as gerações futuras.
Essas iniciativas e outros a desenvolver são financiados pelo Fundo Global para o Ambiente tutelado pelo Ministério da Agricultura e Ambiente de Cabo Verde; podem ser apreciados em algumas ilhas, caso de Santo Antão com os três parques naturais existentes e a desenvolver: Morouços e Cova situado no planalto leste e topo de coroa, com os trabalhos de criação de trilhos e de identificação e preservação das espécies endémicas.
Santo Antão - Paque natural de Morouços

Santo Antão - Coroa: antigo vulcão

Ainda no quadro do projecto de preservação da natureza, temos o projecto de monte verde, em São Vicente, ponto mais alto da ilha, com 700 metros de altitude. A ilha de Monte Cara oferece muitas opções de visitas e de deleite em harmonia com a natureza; zana de calhau, salamança e praias.

S. Vicente- Monte Verde

Em S. Nicolau temos o Parque Natural Monte Gordo que ocupa uma área de, aproximadamente, 952 hectares distribuídos por municípios de Ribeira Brava e Tarrafal, foi decretado património natural de Cabo Verde. Esta ilha não faz parte dos destinos turisticos de Cabo Verde mas a sua caracterisitica natural faz-lhe ombrear com outras ilhas acidentadas do país: Santo Antão, Santiago, Fogo e a Brava.
S. Nicolau - Monte Gordo: espécie endémica
No coração da ilha de Santiago está o Parque Natural da Serra de Malagueta. Trata-se de uma paisagem agradável corporizada nas montanhas, vales e perímetro florestal de espécies endémicas. No cruzamento que vai dar ao Concelho do Tarrafal, o Parque Natural é um sítio à visitar. De clima amena e encosta verdejante com o perímetro florestal denso, no Parque foram criado condições para a dinamização patrimonial com o nucleo da educação patrimonial e de pequenas unidades industriais de produtos locais.

Santiago - Serra da Malagueta 

Na ilha do Fogo temos o Parque Natural de Chã das Caldeira. Abrange toda a área do Vulcão com o recorte espacial de 1.500 metros na vertente oriental e 1.800 metros na vertente ocidental, sendo o maior parque natural de Cabo Verde. Trata-se de um projecto de ecoturismo muito interessante porque engloba a população local, de Chã das Caldeiras, a vertente de produção local (artesanatos e industria vinícola), a educação ambiental e as trilhas que vão dar ao vulcão.  

Fogo - Parque Natural de Chã das Caldeiras
Apesar dessas inciativas de valorização do património natural de cabo Verde, ainda, muitos caminhos à percorrer com vista a tornar esse segmento uma das alternativas viáveis para o desenvolvimento do turismo. Se o turismo é o motor de desenvolvimento, situações exigem, e torna-se como imperativo, desenvolver o turismo que valorize a cultura local e a participação comunitária.
As matrizes de desenvolvimento são várias, muitas vezes são visiveis aos nossos olhos e nos são familiares. Todas as ilhas experimentam potencialidades várias. No que se pretende é criar produtos que espelham as identidades de cada uma das ilhas e das comunidades.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Portfólio - Cabo Verde em imagens. A natureza II

Ilha do Maio


A ilha do Maio pertence ao grupo das ilhas orientais. Como as restantes ilhas,  Maio, de superfície de 269 Km2, apresenta grande potencialidade turística. O território raso, de extenso areal também é reflexo do fenómeno do Sahara. Pode-se dizer que é uma ilha virgem em termos de investimento turístico, uma vez que até a data não se vislumbra grandes impreendimentos desse sector.
Maio - Ponta Preta

Praias de areia branca de água cristalina é a mais-valia das ilhas orientais. Mansas praias de azul anil num tom simbiose com as cores, branca de areia, e castanha das rochas sedimentares. É o silêncio e o paz de espírituo que povoa esse patrimonio natural vincado no horizonte azul.

Os detalhes das dunas e Herbáceas numa simbiose profunda. Esta imagem remete para a época das chuvas com os mantos da água à conviver com as ervas, acácias e as dunas de areia. Maio não é só dunas e praias de água cristalina, é também a vida e a alegria da sua gente humilde e acolhedora.


 Como em todo país, na época da chuva os mantos verdes povoam as planuras e as montanhas. As vertentes pintadas de verdes celebram os momentos de bonança da chuva; as cores negras das rochas basálticas ainda reinam num país pela sua géneses vulcânica.

Santiago


A ilha de Santiago é a maior de cabo Verde. A sua superfície é de 75 Km de comprimento e 35 de largura, dista a 25 Km da ilha do Maio e 50 Km da ilha do Fogo. É uma ilha, dada a sua especificidade, que apresenta todas as características para o desenvolvimento do turismo de montanha e de praia. Pico d’Antónia é o monte mais alto de Santiago. Existem belas praias, Parque natural da Serra Malagueta e outros pontos de interesse turístico. Como vamos ver no percurso deste blog que Santiago ombreado com as outras ilhas é o caldeirão cultural e patrimonial de Cabo Verde.
Parque Natural da Serra Malagueta

Na época da chuva, Santiago pinta de verde tanto nas planuras e nas vertentes. Num ambiente de montes e serras, a bonança da época da chuva transporta para os vales e achadas momentos de magia e de esperança. Espécies endémicas ganham pujança, vigorando e reproduzindo, outras espécies sustentam a vida e a esperança.
Quando não chove é o tom marrom que impera. O sol cospe a sua ira nos cutelos e achadas num ardor terrível que queima os calhaus e a pele tenra das badias. Os trilhos são desenhados nas rochas e planuras povoados no chão ardente. As poeiras levantam e fazem remoinhos com a presença do vento de leste.
É Santiago! Terra nostra de mil cores e de mil almas.

Fogo


A ilha do Fogo ocupa 9ª posição no arquipélago de Cabo Verde. Toda a morfologia da ilha desenvolve no enclave de um imponente vulcão, o vulcão de Fogo. Num declive que começa desde de cratera até ao mar, as vidas, das pessoas, dos animais e das plantas redundam no vulcão; o vulcão apresenta uma cratera com 9 Km de largura e 1 Km de borda, uma fenda na parte oriental e um grande cone se eleva do seu interior central.

Fogo- Vulcão vista de cima


Fogo - Chã das Caldeira; povoações.

Brava


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Portfólio - Cabo Verde em imagens. A natureza



Cabo Verde é um pequeno país, situado a cerca de 500 quilómetros da costa ocidental africana, no cruzamento das rotas marítimas que ligam os três continentes, Africa, Europa e  América.
O arquipélago é formado por 10 ilhas e alguns ilheus. A sua superfície é pequena com 4033 quilómetros quadrados.  Derivado das condições climáticas e do soprar dos ventos elisios, Cabo Verde divide-se em dois grupos: Barlavento e Sotavento. Barlavento, que reúne as ilhas de Santo Antão, São Vicente, Santa Luzia, S. Nicolau, Sal, Boa Vista e os ilhéus Brancos e Rasos; o sotavento, formado pelas ilhas de Maio, Santiago, Fogo, Brava e os ilheus secos ou Rombos.

As ilhas são de origem vulcânica, e possuem um relevo bastante acentuado com o ponto de maior altitude no fogo (um vulcão com 2 829 metros), altas montanhas e vales profundos em Santo Antão, Santiago e S. Nicolau. As ilhas do Sal, Boavista e Maio são planas e circundadas por extensas praias.
O arquipélago enquadra-se na zona de confluência entre os alísios do nordeste e as massas de ar continentais procedentes do Saara (lestadas). Esta situação proporciona a Cabo Verde condições climatéricas, cuja característica principal é uma precipitação irregular e escassa.
A temperatura média anual varia entre 20º e 26º, possui duas estações: a das brisas, de Novembro a Junho e a estação das águas, entre Julho e Outubro. A época das chuvas, muito curta, decorre de Agosto a Outubro, e depende da Convergência Intertropical, que à sua passagem dá origem a fortes chuvadas de curta duração, mas que, por vezes, ocasionam grandes inundações e estragos devido ao acentuado relevo das ilhas.
Santo Antão- natura


Santo Antão é a ilha mais setentrional e ocidental de Cabo Verde, também a mais acidentada e a mais exuberante. A sua bela paisagem natural é bastante apreciada pelas pessoas que procuram o descanso e à prática de alpinismo. É a primeira ilha do grupo do Barlavento, sendo a segunda maior ilha do arquipélago de Cabo Verde, com aproximadamente 40 km de extensão longitudinal e cerca de 20 km de largura.
A ilha da montanha, como é popularmente conhecida, aufere um estatuto único para a prática de turismo da natureza. Para quem gosta de escalar as montanhas e de fazer caminhadas pelos lugares virgens e íngrimes encontra nesta ilha um lugar bastante aprazível. As costas são caracterizadas entre as falésias altas e abruptas caindo a pique sobre o mar. As imagens que a seguir apresentamos são elucidativas sobre essa realidade.

Pico da Cruz

Beleza da paisagem onde a aurora invade o horizonte e abraça as montanhas. Momentos de viagens e de admiração. Fantástico!

Em Santo Antão é comum, em épocas da chuva e não só, encontrar charcos de águas, cachoeiras que percorrem pelo vale adentro. Águas paradas cristalizadas que piscam os nossos olhares.
Ribeira do Paul

Nesta ilha as pessoas desafiam a lei da gravidade, construindo habitações, pastando animais em lugares aparentemente inacessíveis. A imagem mostra os atalhos que serpenteiam as encostas e que percorre todo o “dorso” da montanha. É o combate à insalubridade.
Vale da Ribeira dos Cavaleiros

A cordilheira imponente e vales que aconchegam as povoações. São corrente de montanhas que constituem altas falésias que comunicam com as ribeiras e o mar da ilhas.
São Vicente natura
São Vicente é a segunda ilha do grupo barlavento. O canal de São Vicente separa-a da ilha de Santo Antão. É uma ilha pequena com uma superfície de 227 km2, relativamente plana que vai desde zona leste do Calhau à zona norte da Baia das Gatas.

Monte Verde

O ponto mais alto da ilha é o Monte Verde com 774 m de altitude. O Monte verde é actualmente área protegida, tem sindo desenvolvido acções para o desenvolvimento do parque natural com o ecoturismo.
 
Monte Cara
 O Monte Cara é o cartão de visita. É famoso pela aparência com um rosto humano.  Este elemento identitário da ilha de São Vicente alimenta todo o ideário colectivo das pessoas da ilha.

Santa Luzia
Santa Luzia é a mais pequena ilha, desabitada, faz parte da reserva natural de Cabo Verde juntamente com os demais ilhéus adjacentes. Parece uma bota jogado no mar. A aridez do território é uma das razões para sua a não ocupação.

Ilha de Santa Luzia e a natureza bravia

Não deixa de ser uma ilha interessante para visitar desde que se respeitam os pressupostos da conservação da natureza. Qualquer tentativa de massificação deve ser interdita sobe pena de estarmos a condenar este património natural.

Santa Luzia à mirar a Ilha de São Vicente
A natureza bravia e inigmática mira a ilha de São Vicente. As vegetações são escassas e não se conhece outros recursos animais (pássaros - calhandra) e vegetais.

S. Nicolau


São Nicolau é uma ilha muito acidentada. A sua aparência achatada faz-nos pensar sobre várias realidades: a américa do sul e continente africano, ligado por um cabo de contorno disforme. 


São Nicolau- Cachaço

Nesta ilha pode-se ver altas falésias e majestoso vale que comunica para o interior da ilha. No leito das montanhas e dos vales pontuam pequenos aglomerados urbanos e casas dispersas pelas montanhas.
Magestosas montanhas onde brotam vegetações de cores exuberantes.

Ilha do Sal

A ilha do Sal é uma pequena ilha de 30Km de comprimento e 12 km de largura. Fica próxima da ilha de Boa Vista a 50 km. O seu nome deve-se a descoberta de uma mina de sal, em 1833, na localidade de Pedra de Lume. O Sal pertence ao grupo de ilhas orientais, é composto por um extenso plano que se estende ao longo da ilha. É uma ilha com poucas montanhas e muitas dunas de areias devido a aridez e a influência do fenómeno do deserto de Sahara. É de salientar que a ilha veste de verde na época da chuva, dando a paisagem um outro encanto.

Conhecido como ilha de bonitas praias, a ilha do Sal é composto por extensas praias de areia branca e uma qualidade de água muito apreciada pelos turistas.


A exploração do Sal teve grande importância no desenvolvimento da ilha. O Sal é um elemento identitário muito forte que infelizmente não tem sido muito bem explorado como cartão de vista da ilha. Nota-se nas imagens as presenças de salinas naturais e artificiais e a tecnologia de exploração desse recurso.
Uma gruta muto visitada pelos turistas; nota-se o foco na exploração mineira. Esse espaço merecem de uma atenção especial para a sua patrimonialização e da sua musealização.

Boa Vista


Boa Vista é a terceira maior ilha de Cabo Verde. A sua superfície é de 620 Km2, com 31 Km de comprimento e 29 Km de largura. Tal como a ilha do Sal, extensão do areal é muito significativo, que se estende ao longo da costa. Por causa da sua natureza, a ilha apresenta muitas dunas de areia, nome pelo qual é popularmente conhecido. Trata-se uma ilha com grandes potencialidades turísticas, facto que tem sido alvo de muito investimento.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Boka seku

fonte inter-net
A oralidade é um património que deve ser preservada e incentivada por parte dos órgãos oficiais de Cabo Verde. O Crioulo, Língua Cabo-verdiana, faz parte do imenso património imaterial que tem trazido inúmeros benefícios ao país. Dentro do possível apresentarei alguns poemas que fazem parte do projecto massada (cansado). Mais não digo porque estou xatiadu si, inguisadu si, ku boka seku ta spera txuba e noba di nha terra.

boka seku raganhadu

boka abertu pa mundu

pa tice praga

pa labanta falsu tistimunha

denti kaskadu pa sucundi tristeza

morri di praga

morri di azar

pidi tchuba em vez di sekura

tchora sodadi

lembi kudjer

boka seku raganhadu

boka kaskadu pa mundu

infeita ku sibitchi kontra mau olhadu

odju ragaladu di diskunfiansa

labanta voz num simples gestu

ta spanta num simplis kanson

boka seku raganhadu

boka kaskadu pa mundu

pidi flor pa limia sperança

flor sotadu di sekura

mortu di amor

tchora fronta num passu.


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O património e os museus em Cabo Verde. Que desafios?


Intróito
Com este título não quero dizer que não existe museus em Cabo Verde. Aliás, trata-se de uma questão sensível que mesmo o ICOM não consegue pôr cobro. Não cabe a mim tecer as considerações sobre o que é ou não um museu. É lugar-comum nas críticas que se fazem à realidade museológica em Cabo Verde mirrar os aspectos estruturais que condicionam o desenvolvimento museológico; alguns estudiosos focam na inexistência da herança de estrutura museológica e na prioridade dos factores de desenvolvimento em detrimento dos aspectos patrimoniais e museológicas.
Começo com este texto com algum optimismo por dizer que Cabo verde tem todas as condições para se desenvolver a sua museologia. Para isso, é necessário mitigar os seguintes pontos: que ainda não temos a cultura dos museus; que os museus são instituições em crise que não acrescenta nada ao desenvolvimento; que não existe práticas de coleccionismo em Cabo Verde que contribua para a criação e desenvolvimento de museus; que não existe mecanismo legislativo que regulamenta as actividades dos museus; que o património cabo-verdiano é incipiente para o desenvolvimento da sua museologia; que o Estado não apoia os museus, etc. Estes pontos aventados sustentam mitos, factos e falácias que muitas vezes tendem a naturalizar o “subdesenvolvimento” da nossa museologia. Mesmo assim, não se pode reduzir a capacidade reflexiva do fazer museológico.  
É evidente que o Estado da museologia é incipiente. Fracassa nos seus anseios porque padece de lacunas estruturais susceptíveis de mudar. Por isso, nada está perdido. O ponto forte de Cabo Verde nos sectores museológico e patrimonial não se encontra no património construído (arquitectónico) e móveis. Pelo menos, não se conhece a exuberância de todos esses patrimónios que fazem escola no Ocidente; a riqueza está no património imaterial. É neste sector que Cabo Verde deve apostar no alavancar da ciência patrimonial e museológica. Como os elementos patrimoniais estão relacionados, também não se pode descurar, contudo, os valores do património natural e material. É no aproveitamento de todos os testemunhos do passado é que se trabalha a «casa». Fazendo a analogia de Cabo Verde como uma casa, de património cultural como mobiliários e ornamentos, podemos afirmar com propriedade que a imagem da casa só ganhará notoriedade com o atributo diferenciador que é o património. O património é o elemento identitário que diferencia uma casa da outra.
Cabo Verde precisa, urgentemente, de identificar todos os elementos patrimoniais existentes. Fazer o trabalho de identificação, levantamento, inventariação e posterior estudo e dinamização são tarefas necessárias para o desenvolvimento da nossa ciência patrimonial e museológica.  Muitos estudos etnográficos poderão ajudar na identificação do património imaterial; a música também veicula a mesma preocupação. Daí que é necessário fazer trabalho exploratório tendo esses suportes de memória como elementos potenciais na identificação. Depois dos processos de identificação, inventariação, etc., serão necessários cartografar todos os elementos patrimoniais existentes.
O desenvolvimento da museologia e património passa, necessariamente, por este trabalho de memória. É com a memória é que se constrói a nação. Neste processo é importante ter a noção de que fazer o trabalho de identificação, inventariação, etc., não se compadece com a mumificação dos mesmo mas sim organizar criticamente com vista ao estudo e a dinamização.

Programar para o desenvolvimento.
Programar é necessário. É com a programação é que se consegue os melhores resultados no futuro. Os sectores museológicos e patrimoniais, apesar de alguns ganhos, ainda carecem de maior atenção por parte da tutela e dos poderes locais. Do ponto de vista dos processos museológicos e patrimoniais existem lacunas à ultrapassar por parte das tutelas, dos poderes locais, das equipas técnicas e científicas e a comunidade local. Há que criar condições legais, materiais e de recursos humanos tanto ao nível central e local; maior envolvimento da comunidade na conservação do património. A cultura de responsabilidade deve ser um dos aspectos que todos os actores devem assumir sem reservas.
Cabo Verde precisa, de uma vez por todas, se divorciar dos modelos tradicionais nos domínios museológicos e patrimoniais. Esses modelos tradicionais estão longe de poder corresponder aos anseios da população e da dinâmica de desenvolvimento. Os museus precisam de se abrir à sociedade, de serem mecanismos de desenvolvimento social e cultural da comunidade. As novidades, nas mudança paradigmática, no domínio da comunicação museológica e da conservação se traduzem em novos alicerces em termos de soluções museográficas e museológicas. Os responsáveis dos museus em Cabo Verde ainda têm uma visão cristalizada do património, como algo herdado do passado, carecendo de uma abordagem mais pragmática que a Nova Museologia sustenta; a preocupação com a comunidade e na adopção de novas soluções museográficas que apropriam soluções, que, anteriormente, não faziam parte dos discursos hegemónicos dos museus. O museu não é um lugar cristalizado (parado no tempo) mas um espaço de conhecimento, de conservação, de entretenimento, de lazer, de investigação, etc. Recorrer aos novos dispositivos de comunicação, tais como as fotografias, a oralidade, entre outros suportes, serão sem dúvidas mais eficiente e mais aliciante em termos de comunicação e de aprendizagem. No caso de Cabo Verde, com os trabalhos museográficos não faz sentido acumularem objectos nos espaços exíguos como os que existem; a solução será no cruzamento desses suportes com algumas colecções.
Para além das mudanças em termos de soluções museográficas, é necessário mudar de paradigma; se a recolha dos testemunhos do passado é feita na comunidade e pertence à comunidade, é necessário que a comunidade se revê no património. O património faz parte da identidade da comunidade, é a força criativa do pulsar colectivo que a comunidade quer ver enquadrado e implementado. Todo o processo de patrimonialização e de musealização tem que ser vista e reflectida na sua dinâmica constante, chamando a responsabilização de todos: à tutela, às autarquias, os técnicos e às comunidades. Tem de ser feita no diálogo permanente e contínuo que conduzirá a um conhecimento mais aprofundado da comunidade, envolvendo este nos processos negocial e na tomada de decisões. É com essa postura que as programações devem ser feitas, isto é ir ao encontra das aspirações sociais, económicas, culturais e ecológica da comunidade, nunca deve ser feita isoladamente.
  

sábado, 8 de janeiro de 2011

O capitalismo e a morte da cultura popular em Cabo Verde. o caso de Carnaval popular

Carnaval: a origem e difusão

A palavra carnaval etimologicamente vem da palavra grega “carnis valles” que traduzido à letra significa prazeres da carne. A sua origem remonta ao século XI, com a implantação da Semana Santa pela Igreja Católica, antecede a Quarta-feira de Cinzas (primeiro dia da Quaresma). Em termos do significado, nota-se que esta manifestação cultural manteve o mesmo significado que esteve na sua origem; a ideia de deleite dos prazeres da carne. Isto é, a manifestação exacerbada da libertinagem do corpo motivada por diversas razões; dependendo, no entanto, do contexto histórico-espacial em que este se manifesta. Nas sociedades tradicionais (tribais) o carnaval está associado ao caos social; uma forma de reencontro com o novo mundo.
O que nos interessa é o carnaval que se pratica no ocidente e que teve a sua ramificação nas diversas culturais não ocidentais. Pautado pela origem cristã, o carnaval antecede a Quarta-feira de Cinzas. Normalmente o seu festejo tem a duração de três dias que antecedem à Cinza; acontece sempre as Terça-feira. Os três dias que antecedem o carnaval são chamados de “gordos” que significa o exagero e excesso em contraponto à Cinza que significa a penitência, privação e muita reza. Em Cabo Verde, especialmente na ilha de Santiago, o dia de Cinza é dia de fartura, não de privação como reza a tradição histórica.
O Carnaval é uma manifestação cultural universal que penetra e entrecruza diversas racionalidades. A forma e os processos festivos variam no tempo e espaços. Como vimos anteriormente o carnaval, na sua origem e percurso histórico foi marcado pelo exagero.
Na Antiguidade, o festejo do carnaval acontecia num clima de exagero feito de comidas, bebidas e de celebrações várias; prolongava-se durante sete dias nas ruas, praças e casas da Antiga Roma nos dias 17 a 23 de Dezembro. O tempo parava nessa época para brincar o carnaval. Até os escravos tinham liberdade provisória para brincar o carnaval.
No Renascimento o carnaval ganhou novo enquadramento com a incorporação de máscaras durante os bailes. Pode-se dizer que se trata de um marco importante na evolução do carnaval moderno e contemporâneo, com a incorporação de ricas fantasias e carros alegóricos. A sua difusão para outras latitudes tem a ver com as conquistas europeias no mundo. O triunfo da nova filosofia de vida da sociedade vitoriana ajudou nessa irradiação com as novidades em termos de estilos e motivos alegóricos para diversos países. Os lugares mais famosos nas festividades do carnaval são sem dúvidas Nice, Nova Orleães, Toronto, Veneza e Rio de Janeiro e outros lugares no mundo.

Carnaval Popular; sinais de mudanças
No passado, a vivência dos cabo-verdianos pautava-se pelas criações imaginárias. Nessas criações criaram-se mitos, lendas, personagens e factos que são autênticas matérias heurísticas para compreender as vivências do povo. O carnaval popular era um desses mitos, personagens e factos que se encontrava encravada na memória colectiva. Tratava-se de manifestações anuais que ligavam os populares dos bairros e dos cutelos de Santiago. Com o capitalismo, muitas das manifestações populares, caso do carnaval popular, perderam os seus sinais do tempo.

O carnaval popular era uma autêntica manifestação grotesca em que as pessoas das classes populares vestiam e ornamentavam ridiculamente para fazer medo as crianças e adultos nas imediações ou dentro do bairro. As pessoas vestiam roupas enchidas de trapos, cara pintada de carvão ou tisna de panela para darem imagem de ridículo e de medonha. Normalmente durante o cortejo era acompanhada pela música: “é bidi bidó, é di tenterém, é di cabra preta…” O significado desta cantiga confesso que não sei. O cantar era repetido vezes sem conta que acompanhava o bidi bidó (o actor) pelas ruas das vizinhanças, as vezes desciam as encostas numa romaria de gozos e cantares.
Actualmente esta manifestação popular praticamente não existe. O espírito que acompanha o cortejo mudou consideravelmente. O carnaval mudou de espaço público dos bairros, cutelos para o espaço urbano. Isto porque o capitalismo, com os seus produtos industriais e influências externas, teve impacto negativo no espírito carnavalesco dos bairros.  Os produtos culturais e novas formas de manifestações importadas do Brasil contribuíram para dar novo brilho ao carnaval; perdeu-se a espontaneidade e a criatividade popular. Agora o carnaval voltou para os centros urbanos, com ele surgiram trasvestidos de bidi bidó as personagens do bairro sem a canção que o acompanhava durante a sua origem.
A patrimonialização do carnaval é uma forma de valorizar este património universal. A identificação e o levantamento de formas de expressão do carnaval no arquipélago deve ser uma estratégia de desenvolvimento social e cultural que deve ser implementada a curto prazo.  

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Homenagem. Pé na tchom, cara pa ceu

Tributo ao Norberto Tavares.
É assim que partem os monstros. O porte corporal não interessa para qualificar as pessoas, que pelas suas passagens neste mundo, criaram, sonharam e revolucionam a estética e a linguagem artística do seu mundo. No Campo musical, Cabo Verde perdeu um dos seus mais talentosos criadores musicais, Norberto Tavares. Aliás, nos últimos tempos o País tem experimentado perdas consideráveis dos seus criadores. As galerias das memórias vão ficar, certamente, repletas de almas grandiosas do panorama artístico cabo-verdiano.
As minhas homenagens pós-morte ao senhor, da música cabo-verdiana, não vêm ao acaso. Estive a pesquisar atentamente a sua biografia e as suas composições, achei interessante partilhar estas linhas convosco. Não se trata de nenhum salvador da pátria como muitos outros. As suas composições que o torna especial. As composições são notas etnográficas bem conseguidas das vivências dos homens e mulheres do interior de Santiago. Ele foi o criador de um padrão de beleza das mulheres de Santiago, maria. Maria representa todas as mulheres simples, sem cosmética, trabalhadoras que cintilam nas ribeiras, nos montes, do interior de Santiago.
A reminiscência da luta e da Independência de Cabo Verde encontra perfeitamente esculpida na composição “Nos Cabo Verde di sperança”. Uma composição que muitos comentadores do Jornal A Semana online quer ver como Hino Nacional. A mensagem da composição retrata uma espécie de imperativo nacional, no esforço ao trabalho, ao sacrifício, diria mesmo o altruísmo para dar o corpo à causa nacional. Po isso, está bem presente na memória colectiva nacional.

Discografia:
Volta pa fonti (?); “Hino di unificação” (1992), “Maria” (1995) e “Dirigentes incompetentes” (2000); Best of (2009).

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Do Campo de Concentração do Tarrafal ao Museu da Resistência: do dissenso ao consenso pós-colonial

O Campo de Concentração do Tarrafal é a prova das contradições humanas. O seu lugar na história contemporânea é sobejamente conhecido, pois, faz parte de inúmeros trabalhos historiográficos. Tratava-se de um espaço de mortificação física e psicológico perpetrado aos opositores do regime fascista do Estado Novo. Se no passado a sua construção, na década de 30 do século XX, pode ser compreendida como elemento de dissenso, actualmente a sua valorização, enquanto património da Comunidade, deverá ser compreendida como factor catalisador de entendimento e de consenso.
É que depois de largos anos de descolonização dos países Africanos da Língua Oficial Portuguesa, as questões fracturantes do colonialismo ainda persistem. Digo mesmo que os consensos ainda estão por consolidar. Os indicadores dessas fracturas estão a vista de todos: o processo negocial da descolonização relacionadas com as questões latifundiárias, heranças familiares, etc., a questão Cabinda, entre outros casos que envolvem os jogos geopolíticos. Também não se pode descurar as situações quotidianas em que o racismo e a xenofobia assumem espaços de inquietações. 
O que se pretende com esta reflexão é de reflectir sobre um ponto de convergência de efeito multiplicador que serve de espelho desse consenso: o Campo de Concentração, actual Museu da Resistência. A reconversão do campo de Concentração do Tarrafal no Museu da Resistência é vista como um contributo para honrar as memórias das vítimas do fascismo. É o “dever da memória” como forma de fazer face ao esquecimento. Apesar dos encontros institucionais dos responsáveis dos países da Comunidade, o Museu da Resistência continua à espera de melhores dias para se tornar num espaço com alguma dignidade. Eis a questão de reflexão: respeitando a sua história e o seu simbolismo no quadro da luta da resistência antifascista, que papel o Museu poderá desempenhar no contexto da lusofonia e da sociedade global? Que ensinamentos o Museu da Resistência veicula? Qual é o lugar do Museu da Resistência no contexto da CPLP e da Lusofonia?
No momento em que tanto se fala do estatuto do cidadão lusófono e outros projectos de estreitamento dos laços da Comunidade é imprescindível identificar espaços em que as pessoas da Comunidade se identificam; um espaço onde as questões invisíveis fossem debatidas de forma horizontal, como por exemplo, as questões do racismo, da xenofobia, da exclusão social e étnica, do multiculturalismo, da morabeza dos cabo-verdianos, da hospitalidade dos portugueses, do leve leve dos santomenses; devem ser debatidas na perspectiva da pedagogia crítica. Uma pedagogia capaz de explorar novos modelos de sociabilidades e que se enquadre na linha do consenso.
O Museu da Resistência é o tal espaço de consenso que se almeja. À laborar no quadro da pedagogia crítica, o Museu será o locus de transformação social, cultural e política, tendo o indivíduo como elemento central, elemento basilar de todas as acções educativas. Para isso, será preciso o desenvolvimento de uma política educativa que postule o conhecimento integral do indivíduo, enquanto sujeito activo do processo de transformação da sociedade. As visibilidades das memórias, da ditadura, das atrocidades, da violência interétnica, e demais memórias que beliscam a Liberdade, constituem elementos enunciadores de novas formas de relacionamento e de produção de conhecimentos sobre a violação dos Direitos Humanos.

No prosseguimento do desiderato da reflexão crítica, o Museu da Resistência representa os movimentos sociopolíticos, como forma de produção sociopolítica da recordação do passado, sustentado no paradigma dos museus reconstrutores. Neste paradigma, os aspectos relacionados com a sociedade em crise, as violações dos Direitos Humanos, o envolvimento comunitário, etc., constituem elementos para a reconstrução das identidades fundadas nas memórias, na reconstituição dos fenómenos, na preservação da memória de forma a problematizar à História e educar para a cidadania. 

É por estas e demais razões que carga simbólica do Campo de Concentração do Tarrafal, actual Museu da Resistência, é incontornável para a efectivação de um projecto transnacional e supranacional. É um acto de reparação de memórias das vítimas, uma homenagem aos mortos e aos que sobreviveram dos períodos do fascismo. O Museu da Resistência enquanto espaço sócio-simbólico e veículo de divulgação das questões da memória precisa de se re-inventar em vários aspectos. Porém não deve servir apenas como lugar de romaria dos grupos escolares e turistas, mas crescer como museu voltado para a educação para a cidadania.
A Comunidade da Língua Oficial Portuguesa representa a “comunidade imaginada” onde estão sedimentados os sentimentos de pertença, as narrativas e este grandioso activo patrimonial que reforçam as identidades dos povos no espaço lusófono. Os sentimentos de pertença, espelhado na língua, na luta comum pela liberdade, constituem um círculo de consenso e de entendimento sobre o passado histórico que ligam esses países. Por isso, a construção ou melhor, a re-invenção do Museu da Resistência representa a identidade multinacional no qual os Estados membros devem-se apoiar, sem receios, porque irá reforçar o espírito da Comunidade.